Pela ética na relação entre médicos e indústria farmacêutica – Roberto d´Avila

03/09/2010 às 0:05 | Publicado em Movimento médico, Saúde | 2 Comentários
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Escrito por Roberto Luiz d’Avila

Recentemente, vários jornais publicaram matérias informando a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de trabalhar pela adoção de medidas que contribuirão para tornar mais transparente e ética a atuação da indústria farmacêutica em relação ao medico e vice-versa. Lembro que não uma, mas inúmeras vezes, fui questionado por repórteres e até por alguns colegas sobre a pertinência dessa ação. A resposta sempre veio rápida e a cada repetição fico mais seguro dos argumentos apresentados. Não se trata de posição isolada, mas a expressão do coletivo do CFM atento à defesa da ética no exercício da profissão.

Os excessos praticados por alguns setores da indústria de medicamentos e equipamentos médicos se avolumam ao longo dos anos. Para eles, como é natural, a saúde é um negócio. E por isso deve gerar lucros e evitar prejuízos. Esse entendimento alarga o fosso entre a alma do empresário e a missão do médico, para quem seu trabalho deve render honorários adequados, sem cair na armadilha da mercantilização.

Do ponto de vista de normatização do trabalho médico, já haviam sido dado alguns passos importantes com o aperfeiçoamento de regras existentes no Código de Ética Médica, que estabelece critérios para a relação do médico com a indústria e o comércio. Em fevereiro, tivemos também a aprovação da resolução CFM 1.939/10, que proíbe a distribuição, pelos profissionais, de cupons e cartões de desconto em medicamentos. CONTINUA. Pela ética na relação entre médicos e indústria farmacêutica – Roberto Luiz d´Avila

Fonte: Portal do CFM

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2 Comentários »

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  1. Não sou profissional da saúde mas este assunto me fascina, como profissional na área de negócio no meio deste segmento tenho presenciado pontos importantes que não podemos concordar com sua convivência passiva junto ao respeito ao paciente pregado e exercido por muitos neste meio. O que me preocupa é o foco quase que exclusivo na relação médico e fabricante de medicamentos e outros produtos da saúde. É preciso acreditar que tem muitos outros profissionais envolvidos além desses, por exemplo, os gestores hospitalares, os secretários de saúde e seus comandados, entre outros. É um absurdo a diferença de preços entre um produto hospitalar e o mesmo produto destinado a farmácia – mesmo fabricante, mesma substância, mesmo miligramagem, com apenas um rótulo que está escrito – produto para uso hospitalar. Na hora de cobrar a fonte pagadora, no caso privado, cobra-se o mesmo preço do produto na farmácia, a seguradora paga e repassa, o que torna inviável para o cidadão ter um plano de saúde. Concordo com a preocupação do CFM na relação Médico X Indústria Farmacêutica, mas lamento a miopia no tocante ao restante do segmento saúde, miopia esta que atinge não só o CFM, mas o CFF, a OAB, o Ministério Público, Tribunais de Contas, entre outras instituições que defendem o interesse da sociedade e de seus profissionais envolvidos. Gente, o escândalo que é hoje a relação fornecedores e governos com base na lei 8.666 é vergonhoso. Falta fiscalização em todas as esferas, se tivéssemos homens e mulheres corajosos na aplicação desta lei em combinação com o CPPB não tínhamos cadeias que coubessem a quantidade de criminosos. A quantidade de descritivos que favorecem determinados fabricantes é incrível, as manobras que prefeituras, fundações e secretarias fazem para beneficiar determinados intermediários é simplesmente um absurdo. Muitos fabricantes não participam dos certames por conta da inadimplência dos Estados e Municípios, mas seus nomeados fazem absurdos para vender a estes órgãos para tirarem vantagens, estes vendem e recebem. Tudo isto acontece com ação ou omissão de muitos profissionais da saúde que se dizem éticos… também são criminosos… temos muito mais coisa para priorizarmos do que a relação médico e fornecedores.

    • Teófilo, concordo com você. O problema é mais amplo e complexo.
      De nossa parte (entidades médicas) estamos agindo para coibir e condenar.
      Abs.


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