A caixa preta do Hospital Regional Oeste do Pará

21/02/2009 às 15:16 | Publicado em Saúde | 4 Comentários

Inaugurado, as pressas, no ocaso do governo Jatene, o hospital foi (ou seria) dirigido por uma “Organização Social” (OS) de propriedade do médico Paulo Monteiro, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos e Serviços de Saúde. Vencedor de mais uma duvidosa licitação promovida pelo então Secretário de Estado de Saúde, Fernando Dourado, a OS de Paulo Monteiro coordenou a implementação do hospital nos primeiros meses do atual governo. Abatido pelas vicissitudes da política, teve o contrato denunciado pelo governo e o hospital entregue a outra empresa (Paulo afirma que caiu porque resistiu às tentativas de corrupção que lhes foram propostas). A nova empresa ficou a frente do hospital enquanto o novo Secretário de Saúde Halmélio Sobral permaneceu no governo. Em maio de 2008, sem conseguir fazer o hospital funcionar, mas tendo drenado vultosos recursos financeiros, a empresa foi substituída por outra “Organização Social”, a Pro Saúde (que nada tem a ver com a falida operadora de planos de saúde de Belém).
A Pro Saúde, que também administra outros Hospitais Regionais, entregou a direção do hospital ao Sr. Edson Filho, cujo pai, Edson Ferreira vem ser dono do Hospital João XXIII, em Santarém e é, também, diretor da 9ª Regional de Saúde da SESPA. Sob nova direção, o Hospital Regional Oeste do Pará continua padecendo de mazelas típicas do mal planejamento e da visão patrimonialista que viceja na política tupiniquim.
Em 2008 foi realizado um concurso público para a contratação de médicos. Os médicos nunca foram chamados. A empresa preferiu lotear os diversos setores do hospital entre várias pequenas empresas médicas. Os critérios usados são desconhecidos mas médicos de Santarém foram preteridos e alguns “amigos do rei” foram premiados.
O hospital foi mal dimensionado. Tem apenas 32 leitos de cirurgia e a UTI adulto tem poucos leitos de retaguarda para que as cirurgias de alta complexidade sejam realizadas. O resultado é que o número de cirurgias realizadas está muito aquém das metas pactuadas no contrato (sic). O laboratório já realizou exames em boa parte dos funcionários e realiza exames para a rede municipal de saúde tudo para atingir as metas previstas para o setor (sic). Por outro lado, a Ressonancia Magnética (única de todo o Oeste do Pará) realizava apenas 10 exames por dia quando a capacidade são pelo menos 30. Realizava porque o equipamento está parado há mais de um mês.
O serviço de gestação de alto risco não foi implantado apesar de previsto no projeto. Assim, o hospital tem uma UTI neonatal mas não realiza os partos de alto risco. Estes continuam sendo realizados no Hospital Municipal. Quando há necessidade de UTI para o recém nato (e é tecnicamente possível) os bebês são transferidos para o Hospital Regional. Rumores entre os médicos da cidade dão conta que a mortalidade no setor de oncologia está altíssima e que, atualmente, o grande stress da Pro Saúde é a renovação do contrato prevista para maio deste ano. Vale dizer que apesar de público nunca ninguém viu uma cópia deste contrato para aferir e fiscalizar seu cumprimento. Pelo Sindicato dos Médicos do Pará acionamos a SESPA, o biônico Conselho Estadual de Saúde e até o Ministério Público e nada. É um verdadeiro segredo de Estado.
Tenho convicção que a população do Oeste do Pará merece acesso ao que temos de melhor na medicina de alta complexidade. Vamos continuar fustigando o governo e as autoridades para abrir a caixa preta do Hospital Regional. Ter acesso ao contrato de metas pactuado entre a empresa e o governo é a chave para que a sociedade possas fiscalizar e cobrar atendimento em número e qualidade compatíveis com o direito de todos à saúde e com os milhões pagos, mensalmente, à Pro saúde.

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4 Comentários »

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  1. mal planejamento

    mal dimensionado

    Parabéns pela coragem de denunciar. Continue. Solicito, apenas, correção ortográfica. Abraços, Jalvo

    • Valeu Jalvo. Sempre tenho dúvida ao usar “mau e mal”. Neste caso fiquei pensando e decidi erradamente. Vou tentar aprender definitivamente: mal é o conttrário de bem. Mau é o antônimo de bom.
      Obrigado por acessar o Blog. Obrigado pela ajuda ortográfica. Forte abraço.

  2. Caro Waldir,além de mal escrito você foi infeliz ao colocar informações equivocadas neste espaço.
    Primeiro, meu pai não entregou a direção do hospital para mim, eu fui eleito diretor clínico democraticamente conforme resoluções do crm e cfm a respeito da direção clínica. Eleito pelos médicos do corpo clínico,assim como fui reeleito quando meu pai nem estava mais na Sespa. Assim como também fui eleito no Hospital Municipal .
    Então se informe primeiro antes de escrever besteiras.
    E aliás neste período estávamos com muitas dificuldades devido ao repasse escasso do governo do estado sendo que tive que liderar uma greve neste período.
    E se tem alguém que tem que repensar suas atitudes é você,que não defende nossos direitos aqui da região ,impede que formemos um sindicato do oeste do pará e vem se aproveitando por anos e anos querendo tirar proveito político do sindicato ,aliás sem sucesso porque nunca se elegeu pra nada.
    Quero lhe informar que formaremos um sindicato local e que antes de escrever baboseiras vá se informar para não atacar pessoas sérias que trabalham em nossa região.

    • Caro colega, como diria Jack, vamos por partes. Se você considera que o texto está mal escrito, aponte os erros para que eu possa me beneficiar da crítica e aprender;
      As informações foram obtidas in loco quando estive em Santarém, visitei o Hospital e conversei com colegas médicos e funcionários;
      Eu tentei me informar da melhor maneira possível atendendo sua recomendação;
      Se alguma besteira está escrita, aponte-a. O fato de seu pai ter lhe entregue a Direção foi um movimento político legítimo e do qual vc não deve se envergonhar. Evidentemente, você deve ter sido eleito em procedimento legal (espero);
      O diretor de uma “OS” liderar uma greve, como você afirma ter feito, é um fato inédito! Pelo menos para mim;
      Respeito suas opiniões sobre minhas atitudes, o resultado do meu trabalho e até sua visão de que eu me aproveito da atividade sindical para fins políticos. É seu direito inalienável as ter. Evidentemente, rejeito todas. Penso e posso te provar que minhas atitudes são diametralmente opostas ao que afirmas;
      Sobre a criação do Sindicato Médico do Oeste do Pará.Taí uma boa iniciativa! Conte com meu apoio. Precisamos expandir o movimento sindical médico. Ficamos muito concentrados em Belém. Me disponho a propor à diretoria do SINDMEPA que o sindicato ajude na empreitada;
      Por último, eu não ataquei ninguém. Apenas relatei os fatos, na minha visão. Talvez tenha sido um pouco ácido e peço que me desculpe se lhe ofendi. Não é, absolutamente, minha intensão agredir pessoas ou duvidar da idoneidade de quem quer que seja. Aproveito para te desejar assim como para toda sua família um Natal com muita paz e um 2012 de muitas realizações.


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