Estava em campanha a presidente em 1989 e ia fazer um discurso na Câmara Federal defendendo a derrubada do muro, visto já não ter o menor sentido político sua existência, depois do esforço de Gorbatchov de tentar, por meio da Perestroika e da Glasnost, um aggiornamento do modelo soviético de socialismo. Mas internamente, no PCB, mesmo que fosse majoritário o apoio a esse movimento, tínhamos muitas dificuldades de assumir publicamente essas posições por conta das divisões que então reinavam no Partidão, e em amplas parcelas da esquerda brasileira. O fato é que por conta disso não fiz o discurso, onde, pela primeira vez, exporíamos nossa posição sobre esse fato crucial para as esquerdas e para os comunistas, em particular.
Em todo caso, o fato histórico e político da queda do muro de Berlim estabeleceu uma outra realidade e possibilitou a insurgência de novos paradigmas no campo da esquerda.Continua: Muros que ainda resistem – Roberto Freire nov 2009
*Roberto Freire é advogado e Presidente Nacional do Partido Popular Socialista – PPS
Fonte: jornal Brasil Econômico
