Como está o setor de Urgência do HPSM-14?

23 10 2009

Setor de urgência e Unidade de choque para pacientes graves

O setor de urgência do Hospital dispõe de 12 “leitos” (na verdade, cadeiras reclináveis), 25 macas espalhadas pelo corredor e 22 leitos nas enfermarias de adultos para observação clínica e de trauma. Este setor esta climatizado, porém alguns aparelhos não funcionam comprometendo o conforto da equipe e dos pacientes. As instalações físicas estão deterioradas necessitando de urgente reforma. As condições de trabalho não são boas já que faltam médicos para o primeiro atendimento (triagem), no trauma e na clínica em quantidade suficiente para a demanda do hospital. O Pronto Socorro conta apenas com uma ambulância funcionando o que é, igualmente, insuficiente para a demanda. São realizadas pequenas cirurgias e, para tanto, existem algumas caixas com o instrumental necessário. Há arsenal terapêutico básico necessário, inclusive para o atendimento clínico e no setor de injetáveis e hidratação. Observamos que faltam luvas de procedimento. Encontramos ainda ambú, laringoscópio, desfibrilador e ECG. Faltavam alguns aparelhos para oxigenioterapia, nebulização e para anestesia (fluxômetro). A alimentação é fornecida apenas para os pacientes internados e não recebemos queixas quanto a qualidade. Há quarto para o repouso dos médicos e demais funcionários de nível superior, todavia os demais técnicos de nível médio reclamaram da falta de local adequado e de boa qualidade para o repouso deles.

A unidade de choque dispõe de 06 leitos. As reclamações são muitas em decorrência da falta de profissionais nas equipes, inclusive médicos. Os aparelhos estão sucateados e em quantidade insuficiente. As condições físicas muito ruins, precisando de urgente reforma no banheiro, na pintura, instalação elétrica, climatização e móveis.

Novamente, peço a contribuição dos colegas médicos ou servidores do HPSM. Façam comentários.





Situação precária no HPSM da 14

7 10 2009

No dia 29 de setembro participei da vistoria realizada pelo Sindicato dos Médicos do Pará nas instalações do Hospital do Pronto Socorro Municipal localizado na tv. 14 de março e batizado de Mario Pinotti.
Aliás poucos sabem quem foi Mario Pinotti. Mário Pinotti nasceu em Brotas (SP) em 1894. Formou-se em 1914 pela Escola de Farmácia de Ouro Preto (MG) e em 1918 pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. Sanitarista, iniciou sua carreira 1919, tornando-se inspetor sanitário rural do Departamento Nacional de Saúde Pública. Trabalhou na campanha contra a febre amarela de 1928 a 1931. Em 1936, durante a gestão de Gustavo Capanema no Ministério da Educação e Saúde, foi nomeado diretor-assistente do Serviço Nacional de Febre Amarela, e em 1937 passou a inspetor dos Serviços Especiais do Departamento Nacional de Saúde. Durante o Estado Novo, entre 1938 e 1941, foi diretor-geral do Departamento de Saúde do estado do Rio de Janeiro. Nomeado em 1941 diretor do Serviço Nacional de Peste, assumiu no ano seguinte a direção do Serviço Nacional de Malária, onde permaneceria até 1954. Em 1945 tornou-se também diretor do Departamento Nacional de Saúde. Durante o segundo governo de Getúlio Vargas, foi nomeado pelo presidente para o Ministério da Saúde (Fonte: http://www.cpdoc.fgv.br).
Bem, os restos do emérito Mario Pinotti devem estar recebendo vibrações negativas ou revolvendo-se no túmulo pois as condições em que se encontra a unidade de saúde que leva seu nunca estiveram piores. Eu, pessoalmente, nunca vi o nosso velho HPSM em situação tão precária.
Banheiros entupidos, paredes com infiltrações, com a pintura descascada, mofo, ar condicionados quebrados e, portanto, calor infernal nas enfermarias. Pouquíssimos aparelhos para verificar a pressão arterial dos pacientes. Falta generalizada de… termômetros. Vocês podem imaginar um prointo socorro sem termômetros? Com frequência falta soro fisiológico. O Centro Cirúrgico está com suas salas funcionando precariamente, pinças, tesouras e demais instrumentais gastos pelo uso. Na UTI Pediátrica apenas três leitos em operação. A escala de médicos intensivistas deste setor com varios “buracos”. Ou seja, em determinados horários não há médico de plantão na UTI pediátrica. Atenção, na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica. Eu escrevi Terapia Intensiva. E infantil. Na escala do mês de setembro, afixada no quadro de avisos, vimos que determinado dia, durante 24 horas não havia médicos na escala de plantão. Na UTI adulto apenas três leitos em operação. Não existe climatização e uma janela estava aberta na hora da visita. Uma UTI com janela aberta! Há goteiras na referida UTI. Goteiras… Para o mês de outubro praticamente não há médicos escalados para o setor de triagem do hospital.
Uma obra se arrasta há mais de 4 anos ao lado do prédio e as promessas de conclusão são muitas. A prefeitura também promete inaugurar um hospital de retaguarda com 60 leitos no prédio do antigo Palacete Faciola, na Almirante Barroso. Em maio, alardeou que seria no dia 03 de agosto. Nada. Agora prometem para novembro. Promessas e mais promessas. E só.
O novo Secretário, Dr. Antonio Vinagre está no cargo há exatemente seis meses. Tomou posse no dia 01 de abril (de verdade). Até agora esta devendo. O percebo visivelmente ansioso nas vezes que tenho oportunidade de vê-lo pessoalmente. Nós também estamos ansiosos. Eu, pessoalmente, depositei muita expectativa na sua atuação. O sexto secretário de Duciomar em quatro anos e quatro meses de mandado. Administrativamente experiente, conhecedor da política de saúde, vereador e do mesmo partido do prefeito. Existe combinação melhor? Infelizmente ainda não mostrou resultados, passados cento e oitenta e poucos dias no cargo.
Bem, o SINDMEPA está elaborando um relatório circunstanciado para entregar as autoridades públicas e à imprensa para conhecimento da população. Pediremos providências. Mais uma vez. Assim que for concluido e passado para a imprensa publico no Blog. Aguardem.





A calha trilha

25 08 2008

Na saúde, uma das técnicas usadas para investigar a causa de situações que provocam agravos é escolher um evento ou situação para acompanhar ou esmiuçar em todas as suas componentes. Neste tipo de investigação todas as variáveis que concorrem para o desenlace são analisadas em busca dos elos e do nó crítico onde devemos trabalhar para solucionar ou evitar o problema.

A queda da calha ocorrida ontem no HPSM da 14 de março poderia ser utilizado para descobrirmos as causas da situação precária em que se encontram muitos equipamentos de saúde municipais. O HPSM da 14 é apenas um dos sucateados. O do Guamá, um prédio de sete anos está melhor do ponto de vista estrutural. Várias e várias unidades de saúde estão caindo aos pedaços. Desconfio que que o nó crítico está no Palácio Antonio Lemos…

Tenho defendido que o Pronto Socorro Mario Pinotti não tem conserto. Não há reforma que o transforme em um hospital moderno. Entendo que a melhor solução para a emergência de alta complexidade é construir um novo Hospital de Pronto Socorro. Temos áreas na cidade com terrenos que poderiam se utilizados. Construir um moderno hospital com os novos conceitos da arquitetura hospitalar será a melhor solução para dotar nossa cidade de atendimento de alta complexidade em emergência com a qualidade que tanto necessitamos. O Sindicato dos Médicos apresentou esta proposta para o atual alcaide em abril de 2005, ocasião em que a entidade foi recebida em audiência. Lamentavelmente, o gestor municipal preferiu a temerária compra do Sirio Libanes. Deu no que deu.